O Que Perco Quando Não Perdoo?
- Pr. Erik Santana

- 8 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. Mateus 6:15

Há advertências de Jesus que soam como um sussurro amoroso, enquanto outras chegam até nós como um trovão que desperta a alma. Mateus 6:15 pertence à segunda categoria. Ele diz: “Mas se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai não vos perdoará as vossas.” É uma declaração que atravessa nosso orgulho e nos confronta com a realidade espiritual mais séria do Evangelho: o perdão não é uma sugestão, mas uma condição para quem deseja permanecer no fluir da graça divina. O texto não abre margem para interpretações alternativas nem acomoda desculpas emocionais. Ele nos leva a refletir profundamente sobre o custo espiritual da amargura e sobre o perigo de cultivar feridas que se tornam barreiras entre nós e Deus.
Quando observamos o contexto das palavras de Jesus, percebemos que Ele as insere dentro da oração mais conhecida da história, o Pai Nosso. Ali, Ele nos ensina a dizer: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12). Em seguida, é como se Jesus sublinhasse o ponto mais difícil da oração, deixando-o em negrito diante dos nossos olhos ao repetir o assunto do perdão nos versículos 14 e 15. Isso revela que, para Deus, a forma como lidamos com as ofensas é tão espiritual quanto a forma como oramos, adoramos ou servimos. Não existe verdadeira vida cristã sem um coração disposto a perdoar. Ao negar o perdão aos outros, negamos o caráter de Cristo em nós, pois Ele mesmo intercedeu por seus algozes dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).
A falta de perdão não é apenas um problema moral; é um problema espiritual profundo. Quando guardamos ressentimento, abrimos portas para tormentos interiores que drenam nossa paz. Jesus ilustra essa realidade na parábola do servo incompassivo (Mateus 18:23–35). Na história, o servo que recebeu perdão de uma dívida impagável se recusa a perdoar um valor infinitamente menor. A consequência é severa: ele é entregue aos torturadores. Essa imagem representa o efeito da amargura em nossa alma, ela nos tortura, nos angustia, nos aprisiona em lembranças que não cicatrizam porque insistimos em mantê-las vivas. Paulo reforça esta ideia em Efésios 4:31–32, ao nos ordenar que abandonemos “a amargura, a ira, a cólera” e, em vez disso, sejamos bondosos, compassivos e perdoadores, assim como Cristo nos perdoou.
A verdade é que o não perdão não fere apenas o relacionamento com o próximo; ele afeta diretamente nossa comunhão com Deus. Jesus afirma que, se não perdoarmos, o Pai não nos perdoará. Isso não significa que a salvação depende de obras, mas que o coração incapaz de perdoar revela que ainda não compreendeu a profundidade da graça recebida. Um coração endurecido pela amargura perde sensibilidade espiritual, tornando a vida de oração árida e a caminhada com Deus pesada. O salmista nos alerta: “Se eu atender à iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá” (Salmo 66:18). A falta de perdão é uma iniquidade cultivada, um veneno lento que desconecta nossa alma da presença de Deus, não porque Ele se afasta, mas porque nós fechamos as portas.
Por outro lado, o perdão é uma manifestação concreta do Reino dentro de nós. Ele é a prova de que já não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Paulo descreve o amor fruto maior do Espírito como aquele que “não guarda rancor” (1 Coríntios 13:5). Perdoar não significa que o mal foi justo, nem que a dor é pequena. Significa que escolhemos confiar na justiça de Deus, que diz: “A mim pertence a vingança; eu retribuirei” (Romanos 12:19). O perdão não absolve o ofensor diante de Deus, mas libera o ofendido do peso emocional e espiritual. Ele é um ato de fé, não de sentimento. E, como todo ato de fé, requer decisão, entrega e, muitas vezes, repetição até que a ferida finalmente cicatrize.
O perdão também é um processo que envolve maturidade espiritual. Nem sempre perdoamos na mesma velocidade que fomos feridos, mas sempre podemos iniciar o movimento do perdão. Jesus não espera que sintamos vontade de perdoar Ele espera que obedeçamos. À medida que escolhemos perdoar, o Espírito Santo trabalha dentro de nós, alinhando nossos sentimentos à nossa decisão. É por isso que o apóstolo Paulo diz: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13). Perdoar o imperdoável é possível porque Cristo vive em nós. O perdão é uma obra divina que se manifesta em corações humanos transformados pela graça.
Por fim, precisamos reconhecer que perdoar é uma semente plantada na eternidade. Quem perdoa escolhe viver leve, andar em paz e permanecer sensível à voz de Deus. Jesus nos chama a um caminho onde o perdão não é perda, mas ganho; não é fraqueza, mas força; não é derrota, mas libertação. Rejeitar o perdão é se afastar da fonte da vida. Escolher perdoar é permanecer perto do coração do Pai. A pergunta que fica diante de Mateus 6:15 não é “quem merece o meu perdão?”, mas “o que estou perdendo ao não perdoar?”. A resposta é simples e profunda: ao não perdoar, perdemos a paz, a comunhão e a liberdade tudo aquilo que Cristo conquistou para nós na cruz.
Deus Abençoe!

Pastor Erik Santana
Graduado em Teologia, com especialização em Episcopologia e Escatologia pelo International Seminary Hosanna Bible School. É autor dos livros cristãos As Quatro Torres (Zonas de Ataque Espiritual), A Nova Criatura, Ensina-nos como orar e Famílias que salvam cidades.
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